fevereiro 06, 2013

O PERFUME DO COENTRO

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                       Arroz de Coentros

Os coentros comprados nos mercados em molhos grandes, com folha pequena recortada, com alguma queimada da geada…não se comparam em nada aos das estufas.




O suave aroma que se liberta das suas folhas esmagadas com azeite e alho no almofariz vai perfumar os bagos gordos do arroz, a sopa e os caldos.
Foi o que aconteceu, depois da compra no Mercado de Estremoz de um enorme ramo de

                                                                     coentros dia sim dia sim
Creme de coentros, caldo de bacalhau com coentros e espinafres, arroz de coentros…e o resto congela-se para mais tarde.
  • 1 molhinho de coentros 
  • 2 dentes de alho
  • azeite qb
  • sal qb
  • 1 copo de água de arroz de bago gordo
  • 2 copos de água
Pica-se o alho e os coentros para o tacho e junta-se o azeite.
Com um almofariz. pisa-se tudo até formar uma pasta.É esta pasta que contêm todo o perfume dos óleos que o alho e os coentros libertam.
Junta-se o arroz e vai ao lume até estufar um bocadinho e embeber os bagos nos aromas da pasta.Usei arroz arbóreo para  risoto, porque era o único que tinha na despensa.
Junta-se a água já fervida, e coze durante cerca de 10m.

Lou

PASSEAR NO MERCADO

                          
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Mercado de Estremoz
                                          
O Mercado de Estremoz aos sábados de manhã é irresistivel!
Cores, paladares, cheiros…tudo se conjuga para trazer para casa sabores frescos da época e do Alentejo.
Espargos bravos, agrião, coentros, malaguetas, chás e outros encheram a alcofa, para mais tarde saborear.
Lou
                             

                             

                                                                  

fevereiro 05, 2013

BITTER SWEET SYMPHONIE


 Anish Kapoor, Untitled, 1976.

                   

Agri-Doce de laranja
Recebemos um enorme saco com laranjas doces. Para além do sumo de laranja matinal e de umas quantas comidas inteiras, achei melhor preservá-las antes que se estragassem.
Fiz este doce de laranja que dá muito pouco trabalho, desde que se possa estar em casa durante umas três horas. Nada melhor do que um fim de semana de estudo da Maria.
  • 750 gr de laranjas com casca
  • 1,5 l de água
  • 1 kg de açúcar branco
  • Sumo de meio limão
  • 2 paus de canela
Depois de ter lavado as laranjas, cortei os topos e em seguida cortei em fatias fininhas com a casca e depois em quartos. As minhas não tinham muitos caroços, mas caso tenham, guardem-nos.  
Deitei então as laranjas em água num recipiente de vidro e deixei a macerar durante a noite.
No dia seguinte levei a ferver durante uma hora, quase não mexendo, para amolecer as cascas.  
Juntei  o açúcar, o sumo de limão e os paus de canela e deixei mais uma hora ao lume. Se tiverem caroços coloquem-nos numa gase e juntem. Servem para dar mais consistência ao doce, devido à pectina que contêm.
Os doces não devem ser mexidos durante o processo de cozedura. No final parece ficar muito líquído, mas é mesmo assim. Deixa-se amornar e depois passa-se grosseiramente com a varinha mágica. 
Enchi os frascos esterilizados com o doce bem até cima e deixei arrefecer nos frascos virados para baixo. 
Este doce com as cascas aproveita tudo, vantagem nos tempos que correm, e fica com um sabor que se assemelha ao inglês Marmalade. A diferença é que este último é feito com laranjas de Sevilha ou laranjas amargas e o meu ganha o travo amargo devido à introdução das cascas.
Muito bom para acompanhar carne assada ou sobre umas tostinhas com requeijão. 
 ‘cause it’s a bitter symphony this life try to make this sweet'  The Verve                              
Ana

LLENTIES VERDES




Sopa de lentilhas e espinafres
Um dos meus bairros favoritos em Barcelona é o El Born, bairro piscatório, de ruelas estreitinhas com restaurantes muito engraçados, antiquários, museus e onde eu descobri a centenária Casa Gispert.
Especialista na torrefacção de cereais desde1851, tem uma enorme variedade de frutos secos e leguminosas, para além das minúsculas lentilhas verdes (variedade microspermae).que comprei. Apetece levar um pacotinho de cada!
Sendo assim, fiz esta sopa de lentilhas, agora que o frio pede.



Ingredientes


  • 250 g de lentilhas secas
  • 50 ml de azeite
  • 1 cebola picada finamente
  • 2 dentes de alho picados finamente
  • 50 g de chouriço de carne, sem a pele e picado
  • 1,5 l de caldo de carne
  • sal
  • 1 batata média cortada em cubos pequenos
  • 2 cenouras cortadas em cubos pequenos
  • 1/2 ramo de salsa
  • ½ pacote de espinafres
Depois de lavar e escorrer as lentilhas, fiz um refogado leve com o azeite, a cebola e o alho, ao qual, passado uns minutos, juntei um óptimo chouriço de Arganil, deixando a refogar mais um pouco. As lentilhas por serem pequeninas não necessitam de demolhar previamente.
Envolvi as lentilhas, fui mexendo mais um minuto e no fim reguei com o caldo de carne.
(de preferência com um caldo de carne caseiro).
Ao ferver em lume brando durante 30 minutos, fui retirando a pouca espuma que se formava.
Depois juntei a batata e as cenouras e ficou mais 15 minutos a cozer.
No final, juntei os espinafres e cozeu destapado 5 min.
Puz umas folhinhas de salsa fresca por cima nos pratos para refrescar e servi.
Foi o nosso jantar de domingo a ver A Missão de Roland Joffé de 1986. 
Ana

SOPA DE INVERNO

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Sopa  de grão-de-bico com espinafres, e muito mais
Chove, soube ontem que a minha família decidiu não se reunir para o Natal, substituindo a celebração do Natal  por um almoço de início de ano, retirando todo o significado à época e como se uma coisa invalidasse a outra. Mas enfim! Deixado o desabafo, e porque precisava de uma comida reconfortante, decidi fazer uma sopa de grão bem nutritiva.
Sei que parece um disparate juntar à sopa de grão, batata e cuscus, como se a leguminosa não fosse suficiente para dar corpo e proteínas que cheguem. De qualquer maneira a introdução dos vários legumes e do couscous deu-lhe um sabor diferente.
Ingredientes
  • 450 gr de grão por demolhar
  • azeite
  • sal
  • pimenta
  • folha de louro
  • 2 cebolas cortadas em rodelas finas
  • 3 batatas médias aos cubos
  • 3 cenouras às rodelas
  • 1 pouco de abóbora equivalente a 2 cenouras e partida aos cubos
  • 1 nabo
  • 2 dentes de alho
  • 1 chávena de cuscus
  • 1 caldo de legumes (facultativo e de preferência caseiro)
  • 1 molho de espinafres cortado em juliana
Demolhei o grão na véspera em água.
Cozi o grão em água temperada com sal, pimenta, uma folha de loiro, uma cebola e  um golo de azeite na panela de pressão durante 30 min.
Escorri a água, reservei 3 copos de grão cozido e retirei a folha de louro.
Juntei as batatas, as cenouras, a abóbora, as duas cebolas (uma já estava cozida), o couscous, o sal e a água a cobrir bem – mais ou menos dois dedos de água acima da quantidade de sólidos.
Foi a cozer novamente durante 15 min na panela de pressão.
Deixei arrefecer e passei tudo no triturador do 1.2.3.
Se fosse no mix, ficaria com uma textura mais granulada. Assim, ficou um creme extraordinariamente aveludado, não tendo sido necessário retirar a pele ao grão.
Juntei os espinafres, o grão que estava reservado, um copo de água quente (estava muito grossa) e mais um golo de azeite e deixei ferver 5 min.
Atenção! é necessário ir mexendo porque vai pegando ao fundo.
Foi o meu almoço reconfortante e quentinho, acompanhado pelo meu gato que brinca alegremente com os enfeites da árvore de Natal.
A seguir comi só uma tangerina e terminei com um café acompanhado de umas óptmas línguas de gato da Arcádia, presente antecipado de Natal da Lou.
Ana

GLUTEN FREE MANDARINA CAKE



Pêssegos, peras, laranjas, 
morangos, cerejas, figos,
 maçãs, melão, melancia,
 ó música de meus sentidos, 
pura delícia da língua;
 deixai-me agora falar
 do fruto que me fascina,
 pelo sabor, pela cor,
 pelo aroma da sílabas:
 tangerina, tangerina
Eugénio de Andrade 
Bolo de amêndoas e clementinas

Continuo a pensar no Médio Oriente!
Desta vez fui buscar esta receita de Claudia Roden. Escritora de livros de cozinha  e antropologista cultural, vive em Londres desde há muitos anos, mas a sua origem  egípcia (1936) influenciou os seus livros especializados na gastronomia do Médio Oriente . Esta receita que mistura laranja ou clementinas e amêndoas  vai beber a esses lados certamente. Reescrita pela Nigella Lawson e outros, tem uma textura óptima e não leva nem gordura nem farinha. Ambas são compensadas pela amêndoa que lhe confere humidade e textura aliadas ao perfume e sabor agri-doce dos citrinos.

Bolo
  • 375 grs de laranjas, tangerinas ou clementinas bem doces pesadas com casca.
  • 6 ovos
  • 225 grs açúcar (250 grs caso sejam laranjas ou fruta menos doce)
  • 250 grs de amêndoas sem pele e moídas no 12.3.
  • 1 c chá de fermento em pó
Cozer os citrinos com casca durante duas horas em água ou no micro-ondas a 400º durante uns minutos, segundo Niki Segnit no Dicionário dos Sabores. Deixar arrefecer, retirar só os caroços e moer com a casca no processador ou no 1.2.3.
Aquecer o forno a 190º. 
Bater os ovos, juntar o açúcar aos poucos, a amêndoa com o fermento misturado. e, por fim a polpa dos citrinos. Eu coloquei em forma de 22 cm de diâmetro com buraco no meio barrada e enfarinhada e levei ao forno. 
A receita diz que vai a forno a 190º durante 1 hora. No meu forno, foi a 180º durante 1/5 hora e ficou bom.
Passado 10 min tapei  com película anti-aderente para não queimar por cima. Deixei arrefecer sobre uma rede.
Fica bem com uma calda de clementina vertida por cima ou com farripas de laranja com açúcar. Receita no próximo post.

Calda
  • 3 clementinas
  • 3 c sopa de açúcar
  • 1 c chá canela em pó
Levar ao lume os 3 ingredientes, deixar ferver 5 min e deitar sobre o bolo depois de picado e enquanto quente.

Fiquei com vontade experimentar com polpa de banana, pera ou manga. Em ambos os casos, vou usar uma fruta bem madura e perfumada e reduzi-la a polpa. Este ficou com um sabor a água de laranjeira.

Ana

WHOOPIE PIES

    



Woopie Pies

A história das Woopie Pies remonta a Pennsylvania e à comunidade Amish.
Com o resto da massa dos bolos, as mães preparavam estes bolinhos para as crianças levarem para a escola. Quando os viam, estas rejubilavam ao bom estilo Americano, gritando Whoopie!!!!!!!!!
 A receita que aqui apresento não é feita com o recheio original, o Marshmallow Fluff, que no fundo se trata de um merengue esponjoso. A este recheio, juntei morangos frescos laminados, que cortaram e refrescaram o doce do creme.
Massa
Secos:
  • 1/4 chávena de cacau sem acúcar
  • 2 chávenas de farinha com fermento
  • 1 colher de chá de fermento
  • 1 colher de chá de bicabornato de sódio
  • 1 colher de chá de sal 
  • ½ chávena de manteiga sem sal amolecida em pomada
  • 1 chávena de acúcar demerara
  • 1 ovo                 
  • 1 chávena de leite
  • 1 colher de chá de extrato de baunilha
Retirei a prateleira do forno onde foram cozer as pies e pré-aqueci o forno a 180º. A prateleira deve estar fria quando os bolinhos são colocados.
Juntei os secos numa tijela.
Numa batedeira, misturei a manteiga com o acúcar e o ovo.
Num copo dissolvi a baunilha no leite.
Agora, misturei os secos alternadamente com o leite na mistura de manteiga com acúcar.
Numa colher de gelado deitei bolas na forma. Eu não unto porque uso umas folhas de papel anti-aderente do tamanho da placa do forno.
No meio forno ficaram 10 minutos.
Deixei arrefecer numa grelha.
Recheio
  • 250 g de queijo crème Philadelphia
  • 100 ml de natas frescas batidas
  • 50 g de açúcar em pó
  • morangos q.b.
 Bati as natas com a acúcar e no fim envolvi o queijo–creme.
Montagem
Coloquei o creme sobre a parte lisa de um dos bolinhos, espalhei os morangos por cima e uni a outro bolinho, previamente barrado também com creme.  
Ficaram com aproximadamente 8cm de diâmetro.
Para a próxima vez tento fazê-los mais pequenos. Gosto do tamanho do macarrons, que se comem de uma vez só. Talvez comprando o tabuleiro adequado…
Ana

fevereiro 04, 2013

DEHYDRATOR




Barritas energéticas

A minha filha Filipa no Natal ofereceu-me um desidratador.
Para além de eu gostar de electrodomésticos, este fez o meu especial prazer.

A desidratação é um modo de conservação dos alimentos e, para mim, que vou deixando por vezes apodrecer bananas e peras, dá muito jeito, no mínimo, para fazer uns snacks que me acalmam a fome a meio do dia de trabalho.
No outro dia experimentei deitar uma mão desta fruta seca numa taça com yogurte grego, deixei hidratar um pouco e ficou um lanche muito bom com texturas crocantes e cremosas.

Cortam-se os frutos em lâminas finas – eu deixo ficar a casca -, colocam-se nos tabuleiros e ficam a secar entre 6 a 18 h a 55º. Eu deixo durante a noite e, no dia seguinte, é só encher um saco e levar para o atelier. Já experimentei com kiwis, maçãs, peras, bananas e tangerinas.

Hoje experimentei a fazer barritas de cereais.
Com menos recursos somos mais criativos e, sendo assim, passei a levar as refeições para o atelier. Ao príncipio reagi mas agora até gosto – come-se melhor e ainda dá tempo para fazer montes de coisas durante a hora do almoço.
Usei estes ingredientes mas também dá para se fazer outras misturas. Hei-de experimentar outras combinações como a banana fresca em substituição das sultanas ou mesmo os frutos já desidratados e moídos em misturado com o muesli. O equilíbrio entre os secos e os húmidos deve ser sempre alcançado, de modo a conseguir-se uma pasta, e é uma questão de se ir experimentando à medida que se vão pondo os ingredientes no processador.

Ingredientes
  • 2 tâmaras sem caroço
  • 1/2 copo de sultanas
  • 1 pitada de sal
  • 1 maçã grande
  • 2 copos de muesli
  • 1 colher de sopa de mel


Passar os ingredientes no processador ou no 1.2.3., estender a massa com a ajuda de um rolo e deixar a secar durante 10 horas no desidratador a 55º.

Amanhã já vou ter lanchinho reforçado a meio da manhã.
Ana 

ARTE E COMIDA

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                                 Graça Morais na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva
                           
Lou

fevereiro 03, 2013

LARANJAS E AINDA INVERNO!


                                         Blinis de requeijão com coulis de laranja
Chamar blinis é um abuso! O que estarão a pensar as pequenas panquecas russas…
Destas só têm a forma e o tamanho. Podiam chamar-se luas-cheias de requeijão, ou outra coisa qualquer, mas enfim, vamos ao que interessa.
 As laranjas estão no seu melhor. Sumarentas, pesadas, óptimas para se comer à mão, aos pedaços. Não me importo do cheiro que fica, até gosto.
 Sendo assim, pus umas laranjas e um requeijão de Seia na mesa da cozinha e e decidi fazer uma panquecas diferentes das que habitualmente faço para o pequeno almoço de sábado - ainda por cima está um dia lindo de sol o que contribui para a boa disposição da minha filha Maria. 
  •  400 grs. de requeijão de Seia
  • 1/2 c. de leite meio gordo
  • 1/2 c. de farinha sem fermento
  • 2 ovos grandes de galinha do campo
  • 1 c. chá de fermento
  • 2 c. sopa de acúcar
  • 1 pitada de sal
  • raspa de 2 laranjas
 Misturei tudo menos as claras que acrescentei no fim, batidas em espuma e depois da mistura estar 1/2 hora a descansar no frio.
 Enquanto aguardava fiz o Coulis de Laranja.
 2 laranjas – 30 cl de sumo + a raspa de 1 laranja
2 limões – 5 cl de sumo
50 grs de açúcar
100 grs de água
50 grs de Grand Marnier
 Piquei fininho a casca da laranja, sem a parte branca, que tirei com a ajuda do descascador de cenouras e espremi os citrinos.
Fiz um caramelo  dourado com o açúcar e a água, cujo ponto parei ao juntar os sumos e o licor de laranja. Como não tinha Grand Marnier usei Cointreau. Levei ao lume a reduzir um pouco e no fim juntei a raspa da laranja.
 Estava na hora de fazer as panquecas. Não, não era meio-dia! A receita é muito rápida de fazer do que de escrever.
 Aqueci uma frigideira anti-aderente sem qualquer gordura e fui colocando colheres de sopa de massa. A seguir baixei o lume e deixei cozer ~15 segundos de cada lado. Mal os pequenos círculos de massa (8cm~) apareçam com pequenos furinhos como os que as pulgas fazem na areia, já estão prontos para virar.
 Agora é só comer! Nem me consegui sentar porque a minha filha ia-me sempre pedindo mais uma, mais uma…
Dá mais ou menos para 20 blinis, ou seja para duas pessoas gulosas como nós e que não estejam a fazer dieta.
Esta receita é para a minha prima Teresa que não come pão!
Ana